21.5.08

ASAE e as Quotas

Estaline, Krutchschev (que não era pera doce), Molotov (cuja mulher acabou por ser vítima do terror e enviada para a Sibéria - embora nunca tenha acreditado que a ordem viesse do próprio Josif Vissarionovich) e Beria, por exemplo, foram alguns dos defensores da política de quotas de fuzilamentos e trabalhos forçados na URSS.
O livro de Simon Montefiore sobre "a corte do Kremlin" dá conta de alguns aspectos dessa política de quotas de contra-revolucionários, quando o "governador" de Moscovo, o próprio Krutschev, precisa de alargar a quota de 50 000 fuzilamentos e envia uma carta a Estaline a pedir a sua compreensão; do género, "camarada, preciso de matar mais uns tantos, seja generoso e autorize". Mais tarde, nas mesmas funções mas em Kiev, o futuro secretário-geral do PCUS tem dificuldade em cumprir a sua percentagem de fuzilamentos e pede ao Kremlin que lhe envie um profissional, de cutelo e avental, porque nas duas semanas antes de Agosto precisa de liquidar um certo número de contra-revolucionários a fim de cumprir a sua quota.
E assim vamos.
Na China, idem. Mao, logo a seguir à Guerra da Coreia, para onde já tinha enviado para a linha da frente os "voluntários" que outrora tinham pertencido às tropas nacionalistas de Chiang Kai-Chek, determina que 5% da população é constituída por contra-revolucionários que era preciso eliminar.
Durante a Revolução Cultural aumentou a quota, sobretudo em certas classes profissionais, como os professores e os antigos "proprietários agrícolas" (que já tinha eliminado por decreto); era necessário matar um certo número de pessoas e, na falta de guerra contra Taiwan ou de uma nova frente na Coreia, faz-se a purga doméstica, uns tantos milhões. Morrerem à fome ou morrerem como contra-revolucionários, o importante era que as quotas fossem respeitadas.
No caso português, o director da ASAE diz que o seu documento e as folhas de excel em anexo era apenas "material interno" e teria sido enviado por engano. Azar. Ele existe e, mesmo "ilegítimo" (como esclarece ao Expresso), fez de "ordem interna", distribuído por mail a partir de Lisboa ou em papel pela Direcção do Norte: há umas tantas metas, uns tantos objectivos - e uns tantos números de apreensões, de prisões, de "detenções" e de encerramentos. Beria e Estaline também não publicavam os números das quotas de fuzilamentos no Pravda. A direcção nacional da ASAE diz que não é bem assim: são apenas indicadores, porque os inspectores da ASAE é que são inspeccionados. Exactamente: Beria também ia da Ucrânia ao Casaquistão para ver como os líderes regionais iam cumprindo a sua "quota de abate".
Claro que há aqui um problema - o da equivalência moral. António Nunes não tem a presciência de Estaline nem a esperteza de Beria. Nem a maldade de Mao. É apenas um mandarete que se contenta em aumentar o seu poder. Mas o método está lá, e isso é intimadatório.
Já agora, porque é que o actual director da ASAE foi demitido (da direcção de Viação, ou Rodoviária) por António Costa quando este era ministro da Admnistração Interna? É uma coisa que me faz espécie.

Francisco José Viegas (do blogue A Origem das Espécies)

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17.5.08

O fanatismo da ASAE

A ASAE virou a polícia dos costumes do regime socrático. Por onde passa, tem de deixar marca. Já não se pode comer o bolo de bacalhau feito pela tia Adosinda, o enchido da avó Joaquina. Agora resolveu fiscalizar as instituições de solidariedade social que matam a fome a muitos portugueses.

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27.4.08

O papel da ASAE


A função da ASAE deve ser, entre outras, a de zelar pela segurança e higiene alimentares. Como se comprova por este exemplo. Já não se entende muito bem este excesso de zelo consubstanciado nas metas a atingir, conforme se pode ler em documento interno do citado organismo:
- Cada inspector deve realizar duas detenções anuais;
- Elaborar oito processos-crime;
- Fazer seis propostas de suspensão de actividade;
- Aplicar sessenta e uma coimas;
- Levantar cento e vinte e quatro autos de infracções;
Na Polícia Judiciária, os inspectores preparam-se para ser avaliados pelo número de acusações que formularem.

Mutatis Mutandis, é o que este governo quer aplicar na educação. Chamam-lhe avaliação de desempenho.


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1.3.08

A ASAE



A notícia, que aqui pode ler, já teve outros desenvolvimentos em dias anteriores. A nota de que queria dar conta tem a ver com o carácter persecutório de muitas acções da ASAE, essa polícia dos costumes portugueses. O filho, responsável pela duplo homicídio na pessoa de seus pais, vivia com uma companheira, cancerosa, que amealhava algum dinheiro, vendendo caldo verde no mercado. Até ao dia em que, talvez de metralhadora em punho, chegaram os fiscais da ASAE.



  • A senhora não podia estar a vender caldo verde já cortado, teria de o migar na altura em que lho pedissem.

Ora, vão para o raio que os parta. Então não é que os fiscais se esqueceram de acrescentar que a rodela de chouriço também tinha que ser cortada na hora?! E eu que gosto tanto de caldo verde!

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