2.7.09

Sophia

Faz hoje cinco anos que desapareceu do mundo dos vivos Sophia de Mello Andresen, uma das maiores poetisas de língua portuguesa.
A nossa homenagem.



Assim o amor


Espantado meu olhar com teus cabelos

Espantado meu olhar com teus cavalos

E grandes praias fluidas avenidas

Tardes que oscilam demoradas

E um confuso rumor de obscuras vidas

E o tempo sentado no limiar dos campos

Com seu fuso sua faca e seus novelos

Em vão busquei eterna luz precisa

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25.4.08

A Frase - 25 de Abril


" Esta é a madrugada que ele esperava, o dia inicial inteiro e limpo, onde emergimos da noite e do silêncio e livres habitamos a substância do tempo."

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16.4.08

Poema da Semana

Pretende iniciar-se hoje uma rubrica semanal de homenagem à poesia e a poetas diversos. Por escolha minha - ou sugestão de amigos e leitores -, espera-se que cada um possa fruir da beleza da palavra escrita por quem melhor interpreta a alma humana. Começo com um nome grande da poesia portuguesa - Sophia de Mello Breyner Andresen -, uma das que mais admiro.
Por um país de pedra e vento duro
Por um país de luz perfeita e clara
Pelo negro da terra e pelo branco do muro
Pelos rostos de silêncio e de paciência
Que a miséria longamente desenhou
Rente aos ossos com toda a exactidão
Dum longo relatório irrecusável
E pelos rostos iguais ao sol e ao vento
E pela limpidez das tão amadas
Palavras sempre ditas com paixão
Pela cor e pelo peso das palavras
Pelo concreto silêncio limpo das palavras
Donde se erguem as coisas nomeadas
Pela nudez das palavras deslumbradas
- Pedra rio vento casa
Pranto dia canto alento
Espaço raiz e água
Ó minha pátria e meu centro
Me dói a lua me soluça o mar
E o exílio se inscreve em pleno tempo
Livro Sexto, 1962

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