
toque de saída.
um dos alunos deixa-se ficar para trás. objectivo: atar os atacadores dos ténis. para o conseguir coloca, um após outro, os dois pés, literalmente de chapa em cima da cadeira onde tinha estado sentado. observei-o na expectativa de ver o que faria - quando nos antecipamos, têm sempre uma resposta pronta! rssss - esperei, pois.
após o "arranjo" vejo-o colocar a mochila às costas e dirigir-se para a porta...
- desculpa-me, mas não me parece correcto o que acabaste de fazer.
(percebeu logo!)
- a funcionária limpa pois é para isso que lhe pagam.
- resposta errada. lá em casa fazes o mesmo uma vez que tens uma mãe para limpar...
- não queira comparar... além de ter de ouvir a minha mãe, tenho de respeitar o trabalho dela que trabalha fora.
senti que os meus cabelos se levantavam de fúria mas contive-me.
- pois esta funcionária trabalha fora e será mãe também de alguém. quanto ao ralhar, calhei-te eu na rifa... mas diz-me, quanto achas que vale o respeito que eu tenho por ti?
- eu acho que o respeito por alguém não tem preço.
- mas não foi isso que tu disseste há pouco. em que é que ficamos?
de olhos esbugalhados, percebeu a "calinada".
voltei à carga.
- o meu respeito por ti é de graça, imagina e vais ser tu quem vai valorizá-lo... imagina como.
sorriu-se. tirou um lenço de papel, limpou a cadeira e, sem uma palavra, deitou-o no lixo.
sorri-lhe. baixou os olhos e lançou-me um "obrigado, setora! um bfs para si..."
lamechas como sou, eterneceu-me aquele obrigado. mais do que tudo.
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