1.5.08













Vem e entra. Para ficar. Não esperes um olhar de assentimento, um gesto, um toque. Vem simplesmente.
Deixa que sinta o inesperado bafo quente da tua respiração na minha blusa, trespassa-a, procura-lhe a entrada e esquece-a. Já não a sinto. Sinto-te. E já não é só a tua respiração, o teu calor, são as tuas mãos, os teus braços a prenderem-me, a enterraram-me em ti.
Entranhas-te em mim pelos meus ouvidos, com a tua voz como fazes todos os dias, quando me falas de ti, dos teus dias, do teu tempo que nunca foi o meu e que eu recebo como se apenas o esperasse. O espaço já não existe, o espaço somos agora nós, Um só vertical, ocupando a mesma existência.
Isso! sê cálido, louco ao meu ouvido, nos teus gestos, com o teu corpo que me aperta até ao sufoco, sufoco que é Vida neste estar contigo.
E passeia-me por ti, em suor e calor, em saliva e fricção.
Roubaste-me na diferenciação dos sentidos e experimento essa loucura de não ter corpo como se só o teu existisse em mim.

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20.4.08

Only you, para ti...



Arranca-me estas sombras que construí em envolvência de mim, capa protectora da minha Alma.
Desfaz os laços um a um, suave, acariciadoramente, tocando-me ao de leve com as pontas dos dedos, pontos de luz sobre mim, aquecendo-me, iluminando-me aos poucos.
E prossegue, verticalmente, de cima para baixo, separando o negro da minha pele morena, pondo-me a descoberto.
Então, aproxima os lábios quentes do que vês, encosta-os e veste-me com o seu calor e, no que me sobra, revitaliza-o com o calor das tuas mãos.
Porque, sabes, não são só sombras o que encontrarás mas gelo fino, daquele que deixa que nos adivinhem, baços.

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5.4.08

Tu, meu centro!




Tu-centro, meu centro!

Minha verticalidade a que cedo cada noite, contigo, meu princípio e fim.
Desejo-te espiral, meu fio de prumo, em mim, submetendo-me, em queda, gemido incontrolável, desejo e condenação.
E ser-te, e entregar-me, possuíres-me, rasgo e consumação,
Eterna e tua, contigo sou rodopio furioso, em delírio de amor, teu corpo perdido no meu.
Centralidade do meu sexo que outro não conheço e reconheço como Mestre.
de almàjanela

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