4.6.08

Poema da semana

NÃO TE AMO


Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
E a vida --- nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! não te amo, não; e só te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coração.

Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... não te amo, não.

Almeida Garrett, in Folhas Caídas

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4 Comments:

Blogger Joana Dalila Santos said...

Mas é que nem mais!

4/6/08  
Blogger Ângela said...

Belíssimo!
A diferença entre desejo e amor.
Um dos temas preferidos dos poetas (com Nerudo à frente).

4/6/08  
Blogger :: Mary Jane :: said...

Axo que os tres em um!
Aconteceu tudo de uma vez so,e eu,fiquei perdida!
Perdida de amorrr...

Obrigado pela visita!

bjoo

4/6/08  
Blogger Su said...

como sempre, excelentes escolhas nos poemas postados


jocas maradas .de palavras

9/6/08  

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