14.5.08

Poema da Semana


As Palavras


São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.


Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.


Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.


Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade, in Do Coração do Dia, 1958

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3 Comments:

Blogger Mitchele Vidal said...

Hermoso poema. Tan suave y càlido como tu ciudad.
Estuve en Lisboa hace muchos años y la recuerdo azul, amable y gentil con sus visitantes. ¡Añoro volver!

Saludos desde Caracas

14/5/08  
Blogger O Árabe said...

Bem escolhido! São realmente assim, as palavras...

14/5/08  
Blogger Mari said...

Que lindo!
Adoro conchas e amo poesia....
Sim, as palavras quando usadas podem ser cristal, iluminar muita coisa a sua volta.

Todavia, em dados momentos, torna-se um verdadeiro punhal.

Acredito que devemos ficar muitas vezes calados. As palavras têm a capacidade de elevar a pessoa e de diminuir alguém que já esteja mal.
Tenho pensado nisso, estou preferindo ficar mais calada e deixar que falem, mesmo que falem mal.

Palavras são melodias se cantadas com o vento....

Podem não ser pronunciadas, mas muitas vezes são sentidas.

Mari.

14/5/08  

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