29.5.07
Foi preciso passarem 33 anos depois do 25 de Abril ( descontando os tempos do desnorte gonçalvista...) para termos um governo socialista - ironia das ironias - com uma tal sanha inquisitorial que brada aos céus! A propósito da greve geral anunciada para amanhã, seria intenção do socrático bando identificar os possíveis grevistas. Acho que o "Botas" deve estar a dar gargalhadas no Além.
Felizmente que ainda há instituições que mantêm a sua independência e proibiram o governo de levar por diante tal intenção. Ainda hei-de ouvir/ler algumas aves de arribação clamarem que Cavaco era afinal um bom rapaz...
25.5.07
A srª DREN
A senhora directora regional da educação do norte, antes de chegar ao cargo político que ocupa, foi uma sindicalista empenhada. No ano passado, já na nova função, proibiu a realização de plenários de professores nas escolas para discutirem o novo estatuto da carreira docente. Esta atitude mereceu a reprovação da tutela. Como se vê, esta veia persecutória está-lhe no sangue.
24.5.07
O 1º delator público!
Fixem bem este nome: chama-se António Albino. É, segundo se sabe, o 1º delator conhecido nestes tempos de perseguição e mesquinhez. Foi ele, amigo há 15 anos do professor Charrua, que na privacidade de um gabinete, ouviu a piada e bufou o nome do professor Charrua à zelosa directora regional de educação do norte. O resto já se sabe. E foi aqui denunciado.
No momento em que escrevo este post, assisto a parte do debate na RTPN, Choque Ideológico, entre Bagão Félix e o advogado Pinto Ribeiro, sobre o tema. Como há gente que se diz de "esquerda", como Pinto Ribeiro, e se enreda num emaranhado de pesudo-atenuantes para justificar a actuação da directora regional e, sobretudo, ilibar o ministério e o próprio Sócrates! Não sabe nem se dá conta da figura triste que faz!
23.5.07
O caso Charrua
Volto hoje ao caso do professor Fernando Charrua, suspenso por alegadamente ter ofendido o nome de Sócrates a propósito da sua licenciatura (ou não) em engenharia civil. Duas reacções merecem destaque: uma, a do professor Vital Moreira que, no seu blog, (www.causanostra.blogspot.com ) condena a atitude da directora regional de educação nos seguintes termos:
- "Há-os sempre, os zelosos guardiões do poder, excedendo-se na punição dos que se excedam no desrespeito ao poder. Não se dão conta, os zelosos, que no seu excesso só desajudam quem julgam proteger."
Também o constitucionalista Jorge Miranda vem a terreiro afirmar que:
- "quem deveria ser demitido era a directora a regional". Mas vai mais longe e afirma que, neste caso, "houve um delator, o que é uma coisa profundamente triste".
É precisamente aqui que quero chegar. Também o que mais me choca é o ambiente que se está a começar a viver nas escolas. Já ontem, em entrevista a uma das televisões, uma colega se lamentava do ar que se começa a (não) respirar nas escolas. É triste a situação a que chegou uma classe profissional que devia ser incentivada, e também responsabilizada, e se vê ultrajada a cada dia que passa. Mesmo por colegas de profissão. E o que aí vem não augura nada de bom. Se os professores são a favor duma avaliação séria e rigorosa - é bom que se repita isto - , tenho dúvidas que o processo escolhido seja o mais justo. Se numa primeira fase, esta avaliação assume um carácter quase que burucrático, daqui a dois anos temo o pior. As intrigas, os compadrios, a arbitrariedade vão emergir e conturbar todo o ambiente escolar. E cá estaremos para aferir da veracidade ou não do que aqui se afirma.
Num discurso proferido na sessão solene comemorativa do 25 de Abril, na Assembleia da República, o deputado Paulo Rangel falava em "claustrofobia constitucional e política" a propósito dos sinais preocupantes de alguma restrição de liberdade. O primeiro-ministro, com a sua habitual arrogância, riu-se e fez de conta. A maioria da comunicação social passou ao lado do tema. Possivelmente por ter vindo de quem veio. Talvez agora este caso comprove que essas palavras não foram ditas em vão...

