Jerónimo de Sousa, Cavaco Silva e o Freeport
Desde que rebentou o caso Freeport, os partidos políticos têm sabido gerir os acontecimentos com alguma reserva e evitando, para já, tirar dividendos políticos. Também o Presidente da República, questionado sobre o caso, afirmou que se trata de um "assunto de Estado." Isto é, se tem alguma observação a fazer a Sócretes, fá-la-á nos encontros privados que com ele mantém ou por outros canais apropriados. Mas também não deixou de, com a expressão utilizada, dar-lhe a importância que o assunto merece. O país não pode nem deve ter a chefiar o governo alguém sobre quem recaiam dúvidas sobre actos praticados que indiciem ilícitos criminais. Não é, portanto, um mero caso de justiça. O caso tem repercussões políticas que não devem ser escamoteadas. É neste contexto que não percebo a preocupação de Jerónimo de Sousa ao pretender que o Chefe de Estado esclareça o sentido da expressão utilizada. O secretário-geral do PCP sabe muito bem que assuntos desta gravidade, que envolvem órgãos de soberania, devem ser tratados com alguma parcimónia. Ou quererá, com isso, Jerónimo de Sousa que seja o Presidente da República a iniciar as hostilidades?
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